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Wireless - Entendendo a sopa de letrinhas

Por Conrado Navarro*  29/09/2004

Link Original http://www.brasilmobile.com/portal/index.php?option=content&task=view&id=443&Itemid=31

Como sabemos, as redes sem fio estão cada vez mais difundidas e integradas à nossa vida moderna e infelizmente ainda não sabemos ao certo como aproveitá-las da forma mais produtiva. E provavelmente nunca saberemos já que o sabor e o charme desta enorme sopa de letrinhas é justamente estar sempre em evolução, para o bem de nosso paladar. O que precisamos é conhecer o que o mercado tem hoje e o que podemos realmente usar em termos práticos de aplicação.

O artigo completo está dividido em duas partes, sendo que a primeira contempla as redes WLAN de 2.4 GHz (padrões 802.11b e 802.11g) e o básico de segurança (WEP e ACL). A segunda parte irá trazer novidades do WiMax e os demais padrões de segurança de hoje (EAP TLS/TTLS, LEAP, WPA, 802.11i e WPA2).

Assim, vamos ao cardápio do dia:

 - 802.11b a la Wi-Fi
 - Wi-fi ao molho Hot Spot
 - 802.11g ao WPA
 - WiMax (estamos em falta)

Além disso, você pode também adicionar os topings que desejar:

 - WEP
 - ACL
 - EAP TLS/TTLS acompanhado de RADIUS
 - WPA
 - 802.11i e WPA2

Como podemos ver, o cardápio é extenso e aqui vamos falar resumidamente de cada tecnologia e onde podemos aplicá-las e utilizá-las, pensando claro na segurança (topings) e seu nível de escalabilidade. Não precisamos necessariamente ter o maior nível de segurança ou o menor e essa decisão depende da aplicação e(ou) tecnologia escolhida.

802.11b a la Wi-Fi (ou IEEE 802.11b)

Esta é de longe a tecnologia de redes sem fio (WLAN) mais amplamente utilizada hoje em dia pelas empresas e pessoas. Estamos falando de uma tecnologia que tem custos bastante atraentes e com velocidades de até 11 Mbits/s. Sua frequência de operação é 2.4 GHz, com 11 canais disponíveis para comunicação, sendo que apenas 3 são os canais que se operados em paralelo não exercem nenhuma interferência: canais 1,6 e 11. A prática é que estes canais se usados assim não geram, um no outro, uma pequena degradação do sinal que pode afetar a velocidade final. Essa tecnologia permitiu que PCs pudessem ganhar mobilidade e grande flexibilidade no trabalho corrido dos dias de hoje.

A tecnologia 802.11b foi então endossada pelo grupo de fabricantes que a utiliza e uma convenção foi adotada para facilitar a identificação de produtos interoperáveis nesta tecnologia. A essa certificação deu-se o nome de Wi-Fi, que significa Wireless Fidelity ou Fidelidade Wireless. Assim, basta que a caixa do produto seja identificada com o logotipo Wi-Fi, para que se saiba que ele é compatível com o 802.11b. Veja exemplo do logotipo Wi-Fi abaixo:

Como podemos deduzir, a grande vantagem deste padrão hoje é sua grande compatibilidade entre dispositivos, já que é a maior rede wireless implementada em termos de redes locais sem fio. Com os preços caindo e os produtos cada vez mais integrados ao Wi-Fi, as empresas visualizaram a principal aplicação hoje existente: os chamados Hot Spots, ou simplesmente locais públicos de acesso à rede. Isso significa que ao tomar um café em alguma lanchonete ou cafeteria, você poderá ligar seu laptop e navegar na Internet, ver seus e-mails etc. Mas isso não significa que o serviço será gratuito. Ai está o grande filão do mercado, que é oferecer o serviço aos que sempre se locomovem, como se fora um provedor de conteúdo e acesso, só que apenas ou também para Hot Spots.

Exemplos mais comuns destes serviços podem ser encontrados em quase todos os grandes provedores e outros mais especializados, como é o caso da Vex, caso de maior sucesso em criação e acesso à redes wireless em Hot Spots. Para maoires informações acesse www.vex.com.br e confira os serviços e localizações disponíveis. Como disse, isso é apenas um exemplo, outros como WiFig, Speedy Wi-Fi etc também estão disponíveis. Portanto, imagine que qualquer lugar de grande movimento de pessoas tenderá a possuir um Hot Spot, se já não possui. Os aeroportos principais já possuem, as principais redes de lanchonetes, os Hotéis, enfim, a imaginação é o limite.

Daí podem ver o porque do item do cardápio chamado Wi-Fi ao molho Hot Spot. Isso é uma das aplicações que podem ser criadas com o 802.11b. Sua operação é como a de uma rede local comum e precisa dos mesmos cuidados com engenharia social, segurança e controle de acesso. Mais aplicações? Uma empresa que quer automatizar sua área de distribuição ou armazenagem poderia utilizar handhelds ou PDAs com rede Wi-Fi e coletar/receber informações em tempo real. E com isso vamos a aplicações ainda mais complexa como Inventário de produtos, Leitura de código de barras etc.

O alcance conseguido com o 802.11b depende muito do tipo de antena utilizada, que pode variar em ganho e tecnologia, porém a regra para uma antena padrão de 1 dBi seja de 100m para áreas fechadas e até 300m para áreas abertas ou externas. Alterando estas antenas pode-se conseguir distâncias da ordem de quilômetros e por isso hoje já podem ver diversos serviços disponíveis de Internet que oferecem conexão a rádio. Isso é outra aplicação do 802.11b. Mas pode mudar no futuro e você vai entender porque nas leituras seguintes.

Mas e a segurança disso tudo? O que existe e o que realmente funciona? Alguns dizem, afirmam e re-afirmam que nada funciona ou que a rede wireless definitivamente não é segura. Estes, infelizmente, não tiveram tempo suficiente para estudar a segurança disponível e este mito será facilmente quebrado neste artigo. Porém, deixo a segurança para ser falada como um assunto à parte, depois da abordagem das tecnologias.

802.11g ao WPA (ou IEEE 802.11g)

Este é o irmão mais novo do 802.11b e que traz, de uma forma simples e direta, uma única diferença: Sua velocidade alcança 54 Mbits/s contra os 11 Mbits/s do 802.11b. Não vamos entrar na matemática da largura efetiva de banda dessas tecnologias mas em resumo temos uma velocidade três ou quatro vezes maior num mesmo raio de alcance. A frequência e número de canais são exatamente iguais aos do 802.11b, ou seja, 2.4 GHz com 11 canais (3 non overlaping).

Não há muito o que falar em termos de 802.11g senão que sua tecnologia mantém total compatibilidade com dispositivos 802.11b e que tudo o que é suportado hoje em segurança também pode ser aplicado a este padrão. Exemplificando, se temos um ponto de acesso 802.11g e temos dois laptops conectados a ele, sendo um 802.11b e outro 802.11g, a velocidade da rede será 11 Mbits/s obrigatoriamente. O ponto de acesso irá utilizar a menor velocidade como regra para manter a compatibilidade entre todos os dispositivos conectados.

No mais, o 802.11g traz com suporte nativo o padrão WPA de segurança, que também hoje já se encontra implementado em alguns produtos 802.11b, porém não sendo regra. Iremos falar mais dele na seção Segurança. O alcance e aplicações também são basicamente os mesmos do 802.11b e ele é claramente uma tecnologia que, aos poucos, irá substituir as implementações do Wi-Fi, já que mantém a compatibilidade e oferece maior velocidade. Esta migração já começou e não deve parar tão cedo. Hoje, o custo ainda é mais alto que o do Wi-Fi porém esta curva deve se aproximar assim que o mercado começar a usá-lo em aplicações também industriais e robustas.

A Segurança básica disponível hoje

O que realmente precisamos saber para que a rede sem fio implementada esteja com o nível correto de segurança? Em primeiro lugar é preciso conhecer os padrões disponíveis, o que eles podem oferecer e então, de acordo com sua aplicação, política de segurança e objetivo, implementar o nível correto e desejado. Ser o último disponível não garante, dependendo de sua configuração, que a segurança será eficiente. É preciso entender, avaliar bem as alternativas e então decidir-se de acordo com sua experiência e as características disponíveis nos produtos que vai utilizar, objetivando também o melhor custo.

WEP (Wired Equivalent Privacy)

O WEP é um padrão que nasceu no mesmo tempo do Wi-Fi e desde então sofreu algumas poucas mudanças. Ele consiste basicamente de uma chave estática de 40, 64 ou 128 bits (de acordo com o fabricante) que deve ser colocada no ponto de acesso e nos dispositivos que irão acessá-lo. Esta é uma chave que foi amplamente utilizada, e ainda é, mas que possui falhas conhecidas e facilmente exploradas por softwares como AirSnort ou WEPCrack. Em resumo o problema consiste na forma com que se trata a chave e como ela é "empacotada" ao ser agregada ao pacote de dados. Para maiores detalhes, consulte o link: http://www.isaac.cs.berkeley.edu/isaac/wep-faq.html

Após estas descobertas, muitas empresas, a imprensa e os profissionais da área criaram certa antipatia para com o WEP. Por ser algo fácil para hackers bons de serviço, as empresas sequer o consideram hoje como opção de segurança. O que precisamos saber no entanto é que vale a pena usá-lo quando não se sabe implementar outra opção. Antes uma senha, difícil, do que nada. Meu objetivo não é dar detalhes de como funciona o WEP, mas apenas ilustrar sua operação e alertá-los para seu frágil processo de utilização do algoritmo RC4.

Também quero lembrar que algumas falhas do WEP foram corrigidas e que o WEP usado hoje não é o mesmo de seu lançamento ou de versões onde foram descobertas algumas falhas graves. Mas ele ainda tem buracos e se puder evitá-lo ou agregar algo mais a seu uso, faça-o.

ACL (Access Control List)

Esta é uma prática herdada das redes cabeadas e dos administradores de redes que gostam de manter controle sobre que equipamentos acessam sua rede. O controle consiste em uma lista de endereços MAC (físico) dos adaptadores de rede que se deseja permitir a entrada na rede wireless. Seu uso é bem simples e apesar de técnicas de MAC Spoofing serem hoje bastante conhecidas é algo que agrega boa segurança e pode ser usado em conjunto com qualquer outro padrão, como WEP, WPA etc. A lista pode ficar no(s) ponto(s) de acesso ou em um PC ou equipamento de rede cabeada, e a cada novo cliente que tenta se conectar seu endereço MAC é validado e comparado aos valores da lista. Caso ele exista nesta lista, o acesso é liberado.

Para que o invasor possa se conectar e se fazer passar por um cliente válido ele precisa descobrir o MAC utilizado. Como disse, descobrir isso pode ser relativamente fácil para um hacker experiente que utilize um analisador de protocolo (Ethereal por exemplo) e um software de mudança de MAC (MACShift por exemplo). De novo, para aplicações onde é possível agregar mais esta camada, vale a pena pensar e investir em sua implementação, já que o custo é praticamente zero.

Autor: Conrado Navarro
Site: www.brasilmobile.com
E-mail: conrado.navarro@uol.com.br

* Conrado Navarro é Analista de Projetos na Intermec Technologies Corporation, em sua subsidiária nacional e fundador/mantenedor do site www.brasilmobile.com dedicado ao mundo sem fio. A Intermec é lider no segmento de coleta automatizada de dados, fabricante de equipamentos Pocket PC robustos com inumeras opções de comunicação como GPRS, Bluetooth, Wi-Fi dentro outras. Além disso, atuo diretamente com projetos de Wireless, implementações seguras de redes sem fio e projetos de telecom que envolvam tais dispositivos móveis. Sou consultor em RFID também na Intermec para as áreas de pré e pós venda, além de palestrar anualmente em eventos como COMDEX, IBC e em faculdades, como IBTA, UNIFEI, FAI e FEPI.

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