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Conceito:
VPN - Virtual Private Network
Autora: Gabriela Ferraz Catramby
1. Definições
2. Motivações
3. Algumas considerações para a implementação de uma
VPN
4. Etapas da conexão através de uma VPN
5. Protocolos de Tunelamento
6. Soluções para VPNS
7. A escolha da melhor solução para VPN
8. Performance e QoS
9. Acrônimos
10. Perguntas
11. Referências
1. Definições:
VPNs (Virtual Private Networks) são redes que possibilitam um
acesso privado de comunicação, utilizando-se redes públicas já existentes, como
a Internet. O termo refere-se a combinação de tecnologias que asseguram a
comunicação entre dois pontos, através de um "túnel" que simula uma
comunicação ponto-a-ponto inacessível à "escutas clandestinas" e
interferências.
As VPNs podem ser usadas de duas maneiras. No primeiro caso, existe uma
conexão (sempre através de um tunelamento via Internet) entre duas redes
privadas como por exemplo, entre a matriz de uma corporação, em um ponto, e um
escritório remoto, em outro ponto, ou entre a rede da matriz e a rede de um
parceiro. Neste tipo de conexão, a manutenção do túnel entre os dois pontos é
mantida por um servidor VPN dedicado ou por existentes INTERNET FIREWALLS. Na
verdade, para estes exemplos, as VPNs podem ser encaradas como funções firewalls
melhoradas. Este tipo de VPN é chamada de extranet.
Outra forma de se usar uma VPN é conectando-se um computador remoto
individual à uma rede privada, novamente através da Internet. Neste caso, a VPN
é implementada através de um software dentro do computador remoto. Este
computador poderá usar uma conexão dial-up local para conectar-se a Internet,
possibilitando assim o alcance à rede privada. A figura 1 mostra estas duas
abordagens de VPNs.

Figura 1 : dois tipos de VPNs
As VPNs permitem portanto, "virtualizar" as comunicações de uma corporação,
tornando-as "invisíveis" a observadores externos e aproveitando a
infra-estrutura das comunicações existentes.
2. Motivações
Como visto anteriormente, as VPNs permitem estender as redes
corporativas de uma empresa à pontos distantes da mesma, como outros
escritórios, filiais, parceiros e até mesmo uma residência. Porém, ao invés de
se utilizar de um grande número linhas dedicadas para a interconexão entre seus
diversos pontos, o que onera muito o custo da rede (aluguel de linhas dedicadas,
manutenção de diversos links para cada conexão, manutenção de equipamentos para
diferentes conexões, uso de vários roteadores, monitoramento de tráfico nas
portas de acesso remoto, grande número de portas, etc), uma VPN aproveita os
serviços das redes IP espalhadas mundialmente, inclusive a Internet, ou até
mesmo os provedores de serviços baseados em IP backbones privados, os quais
apesar de limitados em alcance, poderão oferecer um uma melhor performance de
serviço que a Internet, em detrimento do aumento de custos. Fazendo-se então,
uma mistura de serviços prestados pela Internet e serviços prestados por IPs
backbones privados, uma corporação poderá tirar vantagens sobre a performance do
serviço e a redução dos custos.
Outra grande vantagem das VPNs é que elas podem permitir acesso a qualquer
lugar acessado pela Internet e, como a Internet está presente em praticamente
todos os lugares do mundo, conexões potenciais de VPNs poderão ser facilmente
estabelecidas. Assim, no lugar de chamadas à longa distância, os usuários desta
rede poderão, por exemplo, fazer ligações via Internet local, cuja tarifação é
bem menor.
Como as VPNs possuem plataformas independentes qualquer computador
configurado para uma rede baseada em IP, pode ser incorporado à VPN sem que uma
modificação seja necessária, a não ser a instalação de um software para acesso
remoto.
Ao contrário das redes privadas tradicionais que necessitam de vários links
dedicados E1 (2Mbps), os quais, como dito anteriormente, acarretam diversos
custos mensais fixos, mesmos quando os links não estão sendo utilizados, as
redes VPNs utilizam um único link com uma banda menor (512Kbps a 768Kbps), com
custo variável de acordo com sua utilização. Este único link também permite a
existência de somente um roteador do lado do cliente para reunir todos os
serviços de Internet e WAN, o que também permitirá redução nos custos de suporte
e manutenção.
Existe ainda o fato de redes VPNs serem facilmente escaláveis. Para se
interconectar mais um escritório a rede, deve-se contatar o provedor de serviço
para a instalação do link local e respectiva configuração dos poucos
equipamentos nas premissas do cliente. Da mesma forma, no momento em que a
utilização da rede esbarrar na banda disponível no link local alugado do
provedor, basta requisitar um aumento desta banda para se determinar uma melhora
considerável no desempenho da rede.
O gerenciamento da rede pode ser realizado pela própria empresa utilizadora
da VPN, sendo que as alterações ocorridas na rede, como endereçamento,
autenticação de usuários e determinação de privilégios de rede, são efetuadas de
forma transparente ao provedor de serviço, levando a uma maior
flexibilidade.
Figuras Comparativas:

Figura 2 : Rede VPN

Figura 3 :Rede Privada Convencional

Figura 4: comparação dos custos entre uma rede tradicional e uma
VPN
As VPNs permitem então:
- uma difusão da rede corporativa de uma empresa a custos mais
baixos;
acesso seguro e fácil de usuários remotos às redes corporativas;
comunicação segura ente usuários da rede;
escalabilidade , etc
3. Algumas considerações para a implementação de uma
VPN
Existe um aspecto primordial que deve ser levado em consideração para o
desenvolvimento de VPNs sobre a estrutura da rede já existente: a
segurança.
Os protocolos TCP/IP (Transmission Control Protocol /Internet Protocol) e a
própria Internet, não foram originalmente projetados tendo a segurança como
prioridade, porque o número de usuários e os tipos de aplicações não requeriam
maiores esforços para a garantia da mesma. Mas, se as VPNs são substitutos
confiáveis para as linhas dedicadas e outros links de WAN, tecnologias capazes
de garantir segurança e performance tiveram que ser acrescentadas à Internet.
Felizmente, os padrões para segurança de dados sobre redes IPs evoluíram de tal
forma que permitiram a criação de VPNs
As tecnologias que possibilitaram a criação de um meio seguro de comunicação
dentro da Internet asseguram que uma VPN seja capaz de:
- Proteger a comunicação de escutas clandestinas
: a privacidade ou
proteção dos dados é conseguida pela criptografia que, através de
transformações matemáticas complexas, "codifica" os pacotes originais, para
depois, decodificá-los no final do túnel. Esta codificação é o aspecto mais
difícil e crítico em sistemas que implementam a criptografia.
- Proteger os dados de alterações
: esta proteção é alcançada através de
transformações matemáticas chamadas de "hashing functions", as quais criam
"impressões digitais" utilizadas para reconhecer os pacotes alterados.
- Proteger a rede contra intrusos
: a autentificação dos usuários
previne a entrada de elementos não autorizados. Vários sistemas baseados em
"passwords" ou "challenge response", como o protocolo CHAP (Challenge
Handshake Authentication Protocol) e o RADIUS (Remote Dial-in Service
Protocol), assim como tokens baseados em hardware e certificados digitais,
podem ser usados para a autentificação de usuários e para controlar o acesso
dentro da rede.
4. Etapas da conexão através de uma VPN
Primeiramente é feita a autentificação entre os dois pontos.
Essa autenticação permite ao sistema enxergar se a origem dos dados faz
parte da comunidade que pode exercer acesso a rede. Será o laptop de
algum funcionário ou um roteador de um filial? Ou será alguém se
passando por um usuário que faz parte da comunidade?
Em seguida, o servidor VPN verifica quais serviços que o usuário tem
permissão para acessar, monitorando assim, o subseqüente tráfico de dados. Este
passo é chamado de autorização e visa negar acesso a um usuário que não
está autorizado a acessar a rede como um todo, ou simplesmente restringir o
acesso de usuários.
Uma vez formado o túnel, seu ponto de partida adiciona cabeçalhos especiais
aos pacotes que serão endereçados ao outro ponto do túnel, para em seguida,
criptografar e encapsular toda a informação na forma de novos
pacotes IPs. Os cabeçalhos internos permitirão então a autentificação da
informação, e serão capazes de detectar qualquer alteração dos dados
enviados.
5. Protocolos de Tunelamento:
Tunelamento é o encapsulamento ponto-a-ponto das transmissões dentro de
pacotes IP. O tunelamento permite:
- tráfico de dados de várias fontes para diversos destinos em uma mesma
infra-estrutura;
- tráfico de diferentes protocolos em uma mesma infra-estrutura;
- garantia de QoS (Quality of Service), direcionado e priorizando o
tráfico de dados para destinos específicos.
As VPNs são, geralmente redes dinâmicas ou seja, as conexões são formadas de
acordo com as necessidades das corporações. Assim, ao contrário das linhas
dedicadas utilizadas por uma estrutura de rede privada tradicional, as VPNs não
mantém links permanentes entre dois pontos da rede da corporação, pelo
contrário, quando uma conexão se faz necessária entre dois pontos desta
corporação, ela é criada e quando a mesma não for mais necessária, ela será
desativada, fazendo com que a banda esteja disponível para outros usuários.
Os túneis podem consistir de dois tipos de pontos finais: um computador
individual ou uma LAN com um gateway seguro, que poderá ser um roteador ou um um
firewall. Porém, somente duas combinações desse pontos finais, são consideradas
nos projetos de VPNs. No primeiro caso, tunelamento LAN-to-LAN, um gateway
seguro em cada ponto servirá de interface entre o túnel e a LAN privada. Desta
forma, usuários de ambas as LANs poderão utilizar o túnel transparentemente para
comunicarem entre si.
Um segundo caso, tunelamento Client-to-LAN, é aquele utilizado por usuários
remotos que desejam acessar a LAN corporativa. O cliente, ou seja, o usuário
remoto, inicia o tunelamento em seu ponto, para a troca de tráfico com a rede
corporativa. A ferramenta para esta comunicação é um software instalado em seu
computador, que permite transpor o gateway que protege a LAN de destino.
A figura abaixo é uma ilustração genérica do processo de tunelamento
:

Figura 5: o túnel seguro da VPN
Os principais protocolos de tunelamento são:
GRE (Generic Routing Protocol)
Túneis GRE são geralmente configurados entre roteadores fonte e roteadores
destino (pacotes ponto-a-ponto). Os pacotes designados para serem enviados
através do túnel (já encapsulados com um cabeçalho de um protocolo como, por
exemplo, o IP) são encapsulados por um novo cabeçalho (cabeçalho GRE) e
colocados no túnel com o endereço de destino do final do túnel . Ao chegar a
este final, os pacotes são desencapsulados (retira-se o cabeçalho GRE) e
continuarão seu caminho para o destino determinado pelo cabeçalho
original.

Figura 6: protocolo GRE
Desvantagens:
- Os túneis GRE são, geralmente, configurados manualmente, o que requer um
esforço grande no gerenciamento e manutenção de acordo com a quantidade de
túneis: toda vez que o final de um túnel mudar, ele deverá ser manualmente
configurado.
Embora a quantidade de processamento requerida para encapsular um pacote
GRE pareça pequena, existe uma relação direta entre o número de túneis a serem
configurados e o processamento requerido para o encapsulamento dos pacotes
GRE: quanto maior a quantidade de túneis, maior será o processamento requerido
para o encapsulamento
Uma grande quantidade de túneis poderá afetar a eficiência da rede.
PPTP (Point-to-Point Tunneling Protocol), L2F (Layer-2 Forwarding) ,L2TP
(Layer 2 Tunneling Protocol)
Ao contrário do GRE, estes protocolos são utilizados em VPDNs (Virtual
Private Dial Network), redes que proporcionam acesso á rede corporativa por
usuários remotos, através de uma linha discada (provedor de acesso).
PPTP
O protocolo PPTP é um modelo "voluntário" de tunelamento, ou seja , permite
que o próprio sistema do usuário final, por exemplo, um computador, configure e
estabeleça conexões discretas ponto-a-ponto para um servidor PPTP, localizado
arbitrariamente, sem a intermediação do provedor de acesso. Este protocolo
constrói as funcionalidades do protocolo PPP (Point-to-Point Protocol - um dos
protocolos mais utilizados na Internet para acesso remoto) para o tunelamento
dos pacotes até seu destino final. Na verdade, o PPTP encapsula pacotes PPP
utilizando-se de uma versão modificada do GRE, o que torna o PPTP capaz de lidar
com outros tipos de pacotes além do IP, como o IPX (Internet Packet Exchange) e
o NetBEUI (Network Basic Input/Output System Extended User Interface), pois é um
protocolo baseado na camada 2 do modelo OSI (enlace).
Neste modelo, um usuário disca para o provedor de acesso á rede, mas a
conexão PPP é encerrada no próprio servidor de acesso. Uma conexão PPTP é então
estabelecida entre o sistema do usuário e qualquer outro servidor PPTP, o qual o
usuário deseja conectar, desde que o mesmo seja alcançável por uma rota
tradicional e que o usuário tenha privilégios apropriados no servidor
PPTP.
L2F
Foi um dos primeiros protocolos utilizado por VPNs. Como o PPTP, o L2F foi
projetado como um protocolo de tunelamento entre usuários remotos e corporações.
Uma grande diferença entre o PPTP e o L2F, é o fato do mesmo não depender de IP
e, por isso, é capaz de trabalhar diretamente com outros meios como FRAME RELAY
ou ATM.
Este protocolo utiliza conexões PPP para a autentificação de usuários
remotos, mas também inclui suporte para TACACS+ e RADIUS para uma autentificação
desde o inicio da conexão. Na verdade, a autentificação é feita em dois níveis:
primeiro, quando a conexão é solicitada pelo usuário ao provedor de acesso;
depois, quando o túnel se forma, o gateway da corporação também irá requerer uma
autentificação.
A grande vantagem desse protocolo é que os túneis podem suportar mais de uma
conexão, o que não é possível no protocolo PPTP. Além disso, o L2F também
permite tratar de outros pacotes diferentes de IP, como o IPX e o NetBEUI por
ser um protocolo baseado na camada 2 do modelo OSI.
L2TP
Este protocolo foi criado pela IETF (Internet Engennering Task Force) para
resolver as falhas do PPTP e do L2F. Na verdade, utiliza os mesmo conceitos do
L2F e assim como este, foi desenvolvido para transportar pacotes por diferentes
meios, como X.25, frame-relay e ATM e também é capaz de tratar de outros pacotes
diferentes de IP, como o IPX e o NetBEUI (protocolo baseado na camada 2 do
modelo OSI .
O L2TP é porém, um modelo de tunelamento "compulsório", ou seja, criado pelo
provedor de acesso, não permitindo ao usuário qualquer participação na formação
do túnel (o tunelamento é iniciado pelo provedor de acesso). Neste modelo, o
usuário disca para o provedor de acesso á rede e, de acordo com o perfil
configurado para o usuário e ainda, em caso de autentificação positiva, um túnel
L2TP é estabelecido dinamicamente para um ponto pré-determinado, onde a conexão
PPP é encerrada.
PPTP x L2TP
Apesar de parecidos, ambos os protocolos, L2TP ou PPTP, diferenciam-se quanto
suas aplicações, ou melhor, a escolha do protocolo a ser utilizado é baseado na
determinação da posse do controle sobre o túnel: controlado pelo usuário ou pelo
provedor de acesso.
No protocolo PPTP, o usuário remoto tem a possibilidade de escolher o final
do túnel, destino dos pacotes. Uma grande vantagem desta característica é que,
quando os destinos mudam com muita freqüência, nenhuma modificação
(configuração) nos equipamentos por onde o túnel passa se torna necessária. Além
disso, os túneis PPTP são transparentes aos provedores de acesso e nenhuma outra
ação, além de prover serviço de acesso á rede, se faz necessária. Usuários com
perfis diferenciados em relação aos locais de acesso – diferentes cidades,
estados e países – se utilizam deste protocolo com mais freqüência pelo fato de
se tornar desnecessária a intermediação do provedor no estabelecimento do túnel.
Somente é necessário saber o número local para o acesso e o sistema do usuário,
seu laptop, realizará o resto.
A desvantagem do protocolo L2TP é que, como o controle está na mão do
provedor, o mesmo esta fornecendo um serviço extra que poderá ser
cobrado.

Figura 7 : PPTP x L2TP
IPSec
PPTP, L2F e L2TP não incluem criptografia ou processamento para tratar chaves
criptográficas, o que é bastante recomendado para garantir a segurança dos
pacotes. Por isso, surgiu um dos mais importantes protocolos, criado para
garantir a segurança da próxima geração de pacotes IP (IPv6) e que, no momento,
vem sendo utilizado com protocolos IPv4.
O IPSec permite ao usuário, ou ao gateway seguro que está agindo em seu
favor, autentificar ou criptografar cada pacote IP, ou ainda, fazer os dois
processos simultaneamente. Assim, separando os processos de autentificação e de
criptografia, surgiram dois diferentes métodos para a utilização do IPSec,
chamados de modos: no modo transporte, somente o segmento da camada de
transporte de um pacote IP é autentificado ou criptografado; a outra abordagem,
autentificação e criptografia de todo o pacote IP, é chamada de modo túnel.
Enquanto que no modo transporte o IPSec tem provado ser eficiente para várias
situações, no modo túnel ele é capaz de prover uma proteção maior contra certos
ataques e monitoração de tráfico que podem ocorrer na Internet.
O IPSec é baseado em várias tecnologias de criptografias padronizadas para
proverem confiabilidade, integridade de dados e confiabilidade. Por exemplo, o
IPSec utiliza:
- Diffie-Hellman-Key-exchanges para entregar chaves criptográficas entre as
partes na rede pública.
- Public-key-criptography para sinalizar trocas do tipo Diffie-Hellman e
garantir a identificação das duas partes, evitando assim, ataques de intrusos
no meio do caminho.
- DES e outros algorítmos para criptografar dados.
- Algorítimos para a autentificação de pacotes que utilizam "hashing
functions".
- Certificados digitais para validar chaves públicas.
Existe duas maneiras para lidar com a troca de chaves e gerenciamento numa
arquitetura IPSec: chaveamento manual (manual keying) e Internet Key Exchange
(IKE) para gerenciamento automático de chaves. Enquanto o chaveamento manual
pode ser usado em VPNs com um número pequeno de sites, o IKE deve ser
obrigatoriamente em VPNS que suportam um grande número de sites e usuários
remotos.
O IPSec tem sido considerado a melhor evolução para ambientes IP por incluir
fortes modelos de segurança - criptografia , autentificação e troca de chaves -
mas não foi desenvolvido para suportar outros tipos de pacotes além do IP. No
caso de pacotes multiprotocolos, devem ser usados PPTP ou L2TP que suportam
outros tipos de pacotes.
6. Soluções para VPNS
Existe quatro componentes básicos para a implementação de uma VPN baseada na
Internet: a Internet, gateways seguros, servidores com políticas de segurança e
certificados de autenticidade.
A Internet provê a "sustentação" de uma VPN e os gateways seguros são
colocados na fronteira entre a rede privada e a rede pública para prevenirem a
entrada de intrusos, e ainda são capazes de fornecer o tunelamento e a
criptografia antes da transmissão dos dados privados pela rede pública. Os
gateways seguros podem ser: roteadores, firewalls, hardwares específicos e
softwares.
Como roteadores necessitam examinar e processar cada pacote que deixa a LAN,
parece natural incluir-se a criptografia dos pacotes nos roteadores. Por isso
existe no mercado dois produtos que desempenham esta função em roteadores:
softwares especiais (software adicionado ao roteador) ou placas com
coprocessadores que possuem ferramentas de criptografias (hardware adicionado ao
roteador). A grande desvantagem dessas soluções é que, se o roteador cair, a VPN
também cairá.
As firewalls, assim como os roteadores, também devem processar todo o tráfico
IP, neste caso, baseando-se em filtros definidos pelas mesmas. Por causa de todo
o processamento realizado na firewalls , elas não são aconselhadas para
tunelamento de grandes redes com grande volume de tráfico. A combinação de
tunelamento e criptografia em firewalls será mais apropriada para redes pequenas
com pouco volume de tráfico (1 a 2Mbps sobre um link de LAN). Da mesma forma que
os roteadores, as firewalls podem ser um ponto de falha de VPNs.
A utilização de hardware desenvolvido para implementar as tarefas de
tunelamento, criptografia e autentificação é outra solução de VPN. Esse
dispositivos operam como pontes, implementando a criptografia, tipicamente
colocadas entre o roteador e os links de WANs. Apesar da maioria desses
hardwares serem desenvolvidos para configurações LAN-to-LAN, alguns produtos
podem suportar túneis client-to-LAN. A grande vantagem desta solução é o fato de
várias funções serem implementadas por um dispositivo único. Assim, não há
necessidade de se instalar e gerenciar uma grande quantidade de equipamentos
diferentes, fazendo com que esta implementação seja muito mais simples que a
instalação de um software em um firewall, a reconfiguração de um roteador ou
ainda a instalação de um servidor RADIUS, por exemplo.
Uma VPN desenvolvida por software também é capaz de criar e gerenciar túneis
entre pares de gateways seguros ou, entre um cliente remoto e um gateway seguro.
Esta é um a solução que apresenta um custo baixo, mas desaconselhada para redes
que processam grande volume de tráfico. Sua vantagem, além do baixo custo, é que
esta implementação pode ser configurada em servidores já existentes e seus
clientes. Além disso, muitos desse softwares se encaixam perfeitamente para
conexões client-to-LAN.
A política de segurança dos servidores também é outro aspecto fundamental
para implementação de VPNs. Um servidor seguro deve manter uma listas de
controle de acesso e outras informações relacionadas aos usuários, que serão
utilizadas pelos gateways para a determinação do tráfico autorizado. Por
exemplo, em alguns sistemas, o acesso pode ser controlado por um servidor
RADIUS.
Por último, certificados de autenticidade são necessários para verificar as
chaves trocadas entre sites ou usuários remotos. As corporações podem preferir
manter seu próprio banco de dados de certificados digitais para seus usuário
através de um servidor de certificado ou, quando o número de usuários for
pequeno, a verificação da chaves poderá requerer o intermédio de uma terceira
parte, a qual mantém os certificados digitais associados a chaves
criptográficas, pois a manutenção de um servidor para isso será muito onerosa.
7. A escolha da melhor solução para VPN
Vejamos as vantagens e desvantagens de cada solução para a implementação de
VPNs: apenas software, software auxiliado por hardware e hardware específico.
O encapsulamento aumenta o tamanho dos pacotes, consequentemente, os
roteadores poderão achar que os pacotes estão demasiadamente grandes e
fragmentá-los, degradando assim a performance da rede. A fragmentação de pacotes
e a criptografia poderão reduzir a performance de sistemas discados a níveis
inaceitáveis mas a compressão de dados poderá solucionar este problema. No
entanto, a combinação de compressão com encapsulamento, irá requerer um poder
computacional mais robusto para atender às necessidades de segurança. Por isso,
uma VPN implementada através de hardware, devido á seu poder computacional irá
alcançar uma melhor performance. Este tipo de implementação também fornece uma
melhor segurança - física e lógica - para a rede, além de permitir um volume de
tráfico maior. A desvantagem desta implementação é um custo mais alto e o uso de
hardware especializado.
Já uma VPN implementada através de software terá critérios menos rígidos de
segurança mas se encaixa perfeitamente para atender ás necessidades de conexão
de pequenos volumes que não precisam de grandes requisitos de segurança e
possuem um custo menor.
Quanto a performance de VPNs implementadas por software assistido por
hardware, está dependerá da performance dos equipamentos aos quais o software
está relacionado.
A tabela a seguir resume os aspectos a serem considerados para a escolha do
tipo de solução para a implementação de uma VPN.
|
Solução |
Apenas software |
Software assistido por Hardware |
Hardware especializado |
|
Performance |
baixa |
média-baixa |
alta |
|
Segurança |
plataforma fisicamente e logicamente
insegura |
plataforma fisicamente e logicamente
insegura |
fisicamente e logicamente seguro |
|
Aplicações possíveis |
dial-up a uma taxa de 128Kbps para dados
ISDN |
ISDN à velocidades T1 |
Velocidades dial-up até 100Mbps |
|
Produtos |
Firewalls,
Softwares de VPNS |
Cartões de criptografia para roteadores, PCs (Personal
Communication Services) |
Hardware especializado |
8. Performance e QoS
Dois fatores determinam a performance das VPNs:
A velocidade das transmissões sobre a Internet ou sobre outra rede ou
backbone IP
A eficiência do processamento dos pacotes (estabelecimento de uma seção
segura, encapsulamento e criptografia de pacotes) em cada ponto da conexão:
origem e destino.
A Internet não foi projetada inicialmente para garantir níveis confiáveis e
consistentes de tempo de resposta. Na verdade, a Internet é um meio de
comunicação "best effort", ou seja, realiza o máximo de esforço para prestar o
serviço a qual é destinada: a transmissão de dados da origem ao destino. Além
disso, o criptografia e o processo de tunelamento podem influir bastante na
velocidade de transmissão dos dados pela Internet. Contudo, muitas redes
corporativas, não podem ficar a mercê dessas flutuações de performance e acesso
da Internet.
Alguns provedores de serviço resolveram o problema de velocidade de
transmissão oferecendo acordos de Qualidade de Serviço (QoS), e garantia de
banda á níveis específicos. Mas , atualmente, o método mais eficaz para adquirir
QoS é mandar o tráfico VPN sobre o próprio IP backbone do provedor de serviço,
ou seja, sobre o frame relay do provedor ou sobre circuitos ATM, e não sobre a
Internet.
Também existem hoje, diversos grupos de estudos ou Task Forces da IETF
tentando solucionar alguns dos problemas relacionados a performance e Qualidade
de Serviço na Internet. São eles :
- RFC2211
, "Specification of the Controlled-Load Network Element
Service,", J. Wroclawski, September 1997.
- RFC2212
, ":Specification of Guaranteed Quality of Service,", S.
Shenker, C. Partridge, R. Guerin, September 1997.
- RFC2208
, "Resource ReSerVation Protocol (RSVP) Version 1 –
Applicability Statement, Some Guidelines on Deployment," A. Mankin, F. Baker,
S. Bradner, M. O'Dell, A. Romanow, A. Weinrib, L. Zhang, September 1997
9. Acrônimos
ATM asynchronous transfer mode
CHAP challenge handshake authentication protocol
GRE generic routing encapsulation
IETF Internet Engineering Task Force
IKE Internet key exchange
IPSec Internet protocol security protocol
IPX Internet packet exchange
ISDN integrated services digital network
ISP Internet service provider
L2F layer 2 forwarding
L2TP layer 2 tunneling protocol
LAN local area network
MPPE Microsoft point-to-point encryption
NetBEUI network basic input/output system extended user interface
PAP password authentication protocol
POP point of presence
PPP point-to-point protocol
PPTP point-to-point tunneling protocol
PVC permanent virtual circuit
TCP/IP transmission control protocol/Internet protocol
VPN virtual private network
WAN wide area network
xDSL digital subscriber line
10. Perguntas
1. O que é VPN ? Cite algumas vantagens?
VPNs (Virtual Private Networks) são redes que possibilitam um
acesso privado de comunicação, utilizando-se redes públicas já existentes, como
a Internet. O termo refere-se a combinação de tecnologias que asseguram a
comunicação entre dois pontos, através de um "túnel" que simula uma
comunicação ponto-a-ponto inacessível à "escutas clandestinas" e interferências.
As VPNs são então redes que permitem "virtualizar" as comunicações de uma
corporação, tornando-as "invisíveis" a observadores externos e aproveitando a
infra-estrutura das comunicações existentes.
Vantagens:
A principal vantagem de uma VPN é a economia pois, ao invés de utilizar de
linhas dedicadas para a interconexão entre seus diversos pontos, o que onera
muito o custo da rede (aluguel de linhas dedicadas, manutenção de diversos links
para cada conexão, manutenção de equipamentos para diferentes conexões, uso de
vários roteadores, monitoramento de tráfico nas portas de acesso remoto, grande
número de portas, etc), uma VPN aproveita os serviços das redes IP espalhadas
mundialmente, inclusive a Internet, ou até mesmo os provedores de serviços
baseados em IP backbones privados.
Outra grande vantagem das VPNs é que elas podem permitir acesso a qualquer
lugar acessado pela Internet e, como a Internet está presente em praticamente
todos os lugares do mundo, conexões potenciais de VPNs poderão ser facilmente
estabelecidas.
Como as VPNs possuem plataformas independentes qualquer computador
configurado para uma rede baseada em IP, pode ser incorporado à VPN sem que uma
modificação seja necessária, a não ser a instalação de um software para acesso
remoto.
Existe ainda o fato de redes VPNs serem facilmente escaláveis. Para se
interconectar mais um escritório a rede, deve-se contatar o provedor de serviço
para a instalação do link local e respectiva configuração dos poucos
equipamentos nas premissas do cliente. Da mesma forma, no momento em que a
utilização da rede esbarrar na banda disponível no link local alugado do
provedor, basta requisitar um aumento desta banda para se determinar uma melhora
considerável no desempenho da rede.
2. Quais são os procedimentos que garantem a segurança de uma VPN?
A autentificação entre os dois pontos, a autorização que visa
negar acesso a um usuário que não está autorizado a acessar a rede como um todo,
ou simplesmente restringir o acesso de usuários a algumas partes da rede e a
criptografia que garante a privacidade e protege a comunicação de escutas
clandestinas.
3. O que é tunelamento? Cite alguns protocolos:
Tunelamento é o encapsulamento ponto-a-ponto das transmissões dentro de
pacotes IP.
Alguns protocolos de tunelamento são:
GRE (Generic Routing Protocol), PPTP (Point-to-Point Tunneling Protocol), L2F
(Layer-2 Forwarding ), L2TP (Layer 2 Tunneling Protocol)
4. Quais as vantagens dos protocolos que trabalham sobre a camada 2 do modelo
OSI?
Eles são capazes de lidar com outros tipos de pacotes além do IP
5. Que componentes podem implementar as funções dos gateways
seguros de VPNs?
Os gateways seguros podem implementados por: roteadores, firewalls, hardwares
específicos e softwares.
6. Que tipo de implementação de VPN proporciona uma melhor
performance? Por que? Qual é a sua desvantagem?
O encapsulamento aumenta o tamanho dos pacotes, consequentemente, os
roteadores poderão achar que os pacotes estão demasiadamente grandes e
fragmentá-los, degradando assim a performance da rede. A fragmentação de pacotes
e a criptografia poderão reduzir a performance de sistemas discados a níveis
inaceitáveis mas, a compressão de dados poderá solucionar este problema. No
entanto, a combinação de compressão com encapsulamento, irá requerer um poder
computacional mais robusto para atender às necessidades de segurança. Por isso,
uma VPN implementada através de hardware, devido á seu poder computacional irá
alcançar uma melhor performance. Este tipo de implementação também fornece uma
melhor segurança - física e lógica - para a rede, além de permitir um volume de
tráfico maior. A desvantagem desta implementação é um custo mais alto e o uso de
hardware especializado.
11. Referências:
"Virtual Private Networks: A Partnership Between Service Providers
and Network Managers" e "What's a VPN Anyway?"
"Virtual
Private Networks (VPNs)"
"Virtual Private Networks (VPNs) Tutorial"
"Redefining
the Virtual Private Network (VPN)"
"Hey, look!
It's Paul Ferguson's home page!"
"VPN Virtual Private Network"
"Virtual Private network"
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