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Caderno Documento
Com demanda, as operadoras não brincam em
serviço. As concessionárias ainda definem os investimentos para
ampliar o acesso ADSL no próximo ano. Mas estão muito bem
focadas nesse mercado e aumentam a ofertas de serviços.
por
Wanise Ferreira
O ano de 2003 será o do ADSL. A aposta não
é de uma empresa que descobriu agora como pode ampliar sua
rentabilidade em cima da rede de pares de cobre. Ao contrário,
é da Telefônica, a concessionária que lidera o número de
acessos ADSL em toda a América Latina, repetindo o desempenho
de sua matriz, a Telefónica, na Espanha. Ela reserva, para o
próximo ano, dois grandes projetos que, no mínimo, deverão
ampliar em 50% a sua base instalada — sua projeção é encerrar
2002 com cerca de 330 mil acessos em São Paulo. A Telemar e a
Brasil Telecom, com 10 mil e 30 mil acessos mensais,
respectivamente, seguem o mesmo caminho. Nesse ritmo serão,
por baixo, de 700 mil a 1 milhão de acessos instalados em
2003, movimentando recursos da ordem de R$ 1 bilhão.
Mas a ampliação da oferta de banda larga
para os que acessam a Internet passa também por outro a
caminho: a tecnologia 1xEV-DO (Evolution Data Only), que
começa a ser implantada pela Vésper, espelho que montou uma
rede wireless, e está sendo testada por outras
concessionárias, como a própria Brasil Telecom.
A Telefônica tem, pelo menos, duas grandes
vantagens no acesso ADSL: o fato de ter saído na frente, o
que, por enquanto, lhe dá uma escala maior que a de seus
concorrentes, e a possibilidade de intercâmbio, tecnológico e
de práticas comerciais, com a sua matriz, que aposta
fortemente nesse produto. Em 30 de outubro, a Telefónica
contava, na Espanha, com 825 mil usuários ADSL, com uma meta
de encerrar o ano com 900 mil acessos. Os negócios da matriz
espanhola gerados com acessos banda larga, até setembro,
chegaram a 235,9 milhões de euros e crescem 190,9% no
ano.
Crescimento
acelerado
No próximo ano, a Telefônica quer
ultrapassar a faixa de 500 mil usuários ADSL no país. Mas pode
ir muito mais além. Fábio Bruggioni, diretor de negócios
Internet da Telefônica São Paulo, afirma que a meta do total
de acessos, e também os investimentos, para 2003 não estão
fechados. Mas, com um histórico de crescimento de 50% ao ano,
acredita que esse seja o percentual mínimo a ser atingido. Na
sua avaliação, o mercado ADSL está atingindo um novo estágio.
Se, antes, a velocidade de acesso era o atributo mais desejado
por quem comprava o produto, agora o que mais pesa na decisão
de compra é a relação custo/benefício, o que exige melhorias
no sistema.
No que diz respeito ao custo, o executivo
considera que é preciso acelerar as soluções para vencer as
barreiras de entrada do usuário. Uma diz respeito à redução no
preço da instalação, ainda um impeditivo para o crescimento do
serviço. Outra é mais radical, envolvendo a eliminação desse
custo por meio de incentivo à auto-instalação, com a entrega
de kits fáceis de serem manuseados. Como benefício adicional,
o usuário do Speedy, o serviço de acesso banda larga da
Telefônica, passa a receber uma gama maior de soluções,
explica o executivo, inclusive com muito mais orientação sobre
como encontrá-las na web. O call center do serviço Speedy, por
exemplo, passou a ser orientado de forma a prestar também
consultoria de conteúdo, inclusive nos games online, músicas e
utilidades clássicas. A Telefônica optou por não ter uma área
própria de desenvolvimento de conteúdo, mas oferecer uma
plataforma mais flexível para os desenvolvedores de conteúdo
poderem criar, mais facilmente, novas soluções.
No intercâmbio com a matriz espanhola, a
Telefônica reforça os testes para a utilização da rede de
cobre para novas aplicações, como transmissão de serviços
multimídia e interativos. Para isso, é importante a chegada ao
país, em dezembro, da Telefônica Pesquisa e Desenvolvimento —
conhecida na Espanha como Telefónica I + D, ela tem know how
nessa área, já tendo desenvolvido sistemas para
transmissão de imagem e video on demand, na rede
ADSL.
Com estardalhaço, e polêmica, a Brasil
Telecom foi quem saiu na frente no que diz respeito à
utilização da rede ADSL para transmissão de imagem. Ela
anunciou o lançamento do Turbo Vídeo que, pela rede de cobre,
levaria vídeo à casa do assinante. Depois de alguma discussão
com operadores de TV a cabo, a questão acabou esclarecida com
a assinatura de dois acordos, no mês passado, com a ViaCabo e
a NET Foz do Iguaçu. O serviço será lançado, comercialmente,
no primeiro trimestre de 2003 e, pelo acordo, a concessionária
é a responsável por receber os sinais das operadoras de TV a
cabo, transformá-los em IP para que possam trafegar na rede e
convertê-los para sinal de TV na entrega ao
assinante.
Lembrando que a origem do sistema ADSL é,
justamente, a transmissão de imagens, Yon Moreira da Silva Jr,
vice-presidente corporativo da Brasil Telecom, entusiasma-se
ainda mais com a potencialidade de sua rede. Ele já pensa na
possibilidade da substituição dos satélites, hoje responsáveis
pela emissão de sinais das TVs abertas, pela infra-estrutura
terrestre das concessionárias, como a de cabos ópticos. "Nossa
rede tem capacidade de cerca de 80 satélites", comenta.
O executivo quer que a Brasil Telecom
feche o ano com 220 mil acessos ADSL instalados, o que dá à
operadora o status de segunda maior planta da América Latina.
"Estamos instalando cerca de mil acessos por dia", ressalta.
Esse ritmo, no mínimo, deverá continuar no próximo ano — as
projeções de crescimento ainda estão sendo trabalhadas. Em
setembro, a operadora contabilizava 118,3 mil acessos ADSL
comercializados, ou seja, um crescimento de 16,6% em relação
ao ano anterior.
Concorrência reduz
preço
Em sua área de atuação, a Brasil Telecom
é, praticamente, a única concessionária que enfrenta
concorrência em banda larga de uma empresa-espelho, a GVT, já
que a Vésper, que concorre com a Telefônica e a Telemar, não
oferece, ainda, serviço alternativo nesse mercado. Não é por
outro motivo que, para proteger sua base de clientes, a Brasil
Telecom reforçou seu esquema de atendimento ao mercado de
clientes residenciais, de alto poder aquisitivo, e ao segmento
SoHo (Small Office Home Office), justamente onde sua
concorrente tem atuado.
Em setembro, a GVT ofereceu uma redução de
até 30% na mensalidade do Turbonet, seu serviço de acesso
banda larga via ADSL. Em novembro, aumentou o número de lojas
onde seus clientes poderiam comprar os modems compatíveis com
o seu sistema, além de ter homologado o modem Speed Touch Pro
Alcatel, que, na avaliação da empresa, é o mais adequado para
clientes residenciais, pequenas e médias empresas, e mercado
SoHo. Lançado em março deste ano, o Turbonet contava, em
novembro, com 4 mil clientes — 40% são pequenas e médias
empresas e SoHo — e a previsão era fechar o ano com 5 mil
clientes e dobrar esse número até março do próximo ano. Com um
total de 450 mil clientes, a GVT conta com 40% de sua receita
geral proveniente do mercado corporativo.
A estratégia da Telemar é a de prover
serviços Internet, como um todo, com um portfolio mais amplo,
baseado na conectividade. O xDSL faz parte dessa oferta e está
sendo oferecido tanto para o mercado residencial, que responde
por 70% de sua base de clientes, como para o empresarial, que
fica com os 30% restantes. Mas sua base de acessos ADSL ainda
é pequena, comparada às das outras concessionárias locais:
atingia, em novembro, cerca de 40 mil acessos em serviço.
"Esse mercado tem uma demanda crescente, que deverá se manter
ao longo de 2003, e, por enquanto, nosso ritmo é de 10 mil
instalações mensais", comenta João de Deus, diretor de
projetos empresariais. No terceiro trimestre deste ano, o
Velox, serviço ADSL da concessionária, atingiu uma receita de
R$ 8 milhões, contra R$ 2 milhões no mesmo período de 2001.
Para a empresa, isso foi um marco que dá início ao foco maior
nesse produto. A operadora, de acordo com o executivo, não tem
planos de investir em uma oferta wireless de banda larga. "Nós
temos uma rede com a maior capilaridade geográfica, que é um
tesouro", reforça.
Se a disposição das operadoras de
continuarem investindo na tecnologia xDSL pode animar os
fornecedores, eles, ao mesmo tempo, terão de administrar
melhor suas vendas. Isso porque, no que depender das
operadoras, os estoques ficarão por conta dos fabricantes, já
que o ritmo de compras será bem pausado. Na melhor das
hipóteses, as aquisições serão feitas de três em três meses.
Mas há quem já trabalhe com a hipótese de prazos mais
prolongados de compra, com a entrega acompanhando o movimento
de vendas.
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