Pela primeira vez na História, as pessoas e as máquinas
trabalham em conjunto, tornando um sonho realidade. Um força congregadora que não
conhece fronteiras geográficas. Sem olhar à etnia, religião ou raça. Uma
nova era, onde a comunicação verdadeiramente une as pessoas.
Esta é a alvorada da Internet.
Quer saber como tudo funciona? Clique aqui para iniciar a viagem pela
Internet.
Ora bem, o que é que realmente aconteceu quando clicou nessa ligação?
Despoletou um fluxo de informação. As informações deste fluxo dirigem-se
para a sua sala pessoal de correio, onde o Sr. IP as empacota, rotula e
despacha. Hás limites ao tamanho de cada pacote. A sala de correio tem de
decidir como processar as informações e empacotá-las.
A seguir, é preciso rotular o pacote IP, com informações importantes, tais
como o endereço do remetente, o endereço do destinatário e de que tipo de
pacote se trata. Como o pacote em causa se destina a ir para a Internet, também
recebe o endereço do servidor proxy, que desempenha uma função muito
especial, como veremos mais à frente.
O pacote é então lançado para a rede local. Esta rede é utilizada para
ligar todos os computadores, routers, impressoras e outros equipamentos locais,
situados dentro das paredes reais de um único edifício. A rede local é um sítio
relativamente anárquico, onde infelizmente podem ocorrer acidentes.
A auto-estrada da rede local está apinhada com todo o tipo de informações: há
pacotes IP, pacotes Novell, pacotes Apple Talk - âhm... que vão em contramão,
como é costume. O router local lê os endereços dos pacotes e, se for necessário,
recolhe os pacotes, lançando-os noutra rede.
Ah é verdade, o router. Um símbolo de controlo num mundo aparentemente
desorganizado. Ele ali está..sistemático, insensível, metódico, conservador
e, por vezes, não muito rápido. Mas é de grande precisão... geralmente.
Os pacotes que saiem do router embrenham-se na intranet da empresa, direitos ao
switch de routers. Este é um bocadinho mais eficiente do que os routers,
despachando despreocupadamente e depressa os pacotes IP, encaminhando-os
habilmente em direcção ao destino. É, mais ou menos, uma espécie de craque
digital dos flippers.
Conforme os pacotes vão chegado aos respectivos destinos, são apanhados
pela interface de rede, que está preparada para os despachar para o nível
seguinte. Neste caso, o proxy. O proxy é utilizado por muitas empresas como
"intermediário", para aliviar a carga da ligação à Internet. E
também por questões de segurança. Podemos ver que os pacotes têm tamanhos
diferentes, conforme o conteúdo de cada um.
O proxy abre o pacote e procura o endereço Web (conhecido por URL). Se o
endereço for aceitável, o pacote é enviado para a Internet. No entanto, há
alguns endereços que não obtêm a aprovação por parte do proxy (que o mesmo
é dizer, não cumprem as directivas empresariais ou administrativas). E estes são
eliminados sumariamente, pois não queremos disso por cá. Quanto aos que
conseguem passar, fazem-se de novo à estrada.
Logo a seguir... o corta-fogo (firewall). A firewall da empresa existe por dois
motivos: evita que algumas coisinhas nojentas que andam pela Internet entrem na
intranet; e também evita que as informações confidenciais da empresa sejam
enviadas para a Internet.
Uma vez passada a firewall, um router recolhe o pacote e coloca-o numa
estrada (ou largura de banda, como costumamos dizer) muito mais estreita.
Obviamente, a estrada não é suficientemente larga para que possam caber todos
os pacotes.
É capaz de estar a pensar: "O que é que acontece aos pacotes que não
chegam ao fim do caminho?" Bem, quando o Sr. IP não recebe uma confirmação
de recepção de um dado pacote em tempo útil, limita-se a enviar um pacote
para o substituir.
Estamos agora prontos a entrar no mundo da Internet, uma teia de aranha de redes
interligadas que se estende por todo o planeta. Aqui, os routers e switches
estabelecem ligações entre redes.
Ora bem, a Internet é um ambiente completamente diferente do que encontramos
dentro das muralhas da rede local. Aqui fora, é um faroeste. Muito espaço,
muitas oportunidades, muito para explorar muito aonde ir. Graças à existência
de muito poucos controlos e regras, as ideias novas encontram aqui solo fértil
para ir mais além. Mas devido a esta liberdade, também alguns perigos se
escondem. Nunca se sabe quando é que pode parecer o terrível ping mortal. É
uma versão especial de um pedido normal de ping, criada por algum imbecil, que
descontrola os anfitriões incautos.
Os percursos dos nossos pacotes podem ser através de satélites, linhas
telefónicas, comunicação aérea ou até mesmo cabo transoceânico. Nem sempre
tomam o caminho mais rápido nem o mais curto, mas provavelmente chegarão ao
destino, mais cedo ou mais tarde. É talvez por isto que às vezes falamos na
World Wide Wait ("espera à escala mundial"). Mas quando tudo funciona
como deve ser, pode-se dar 5 vezes a volta ao mundo, no tempo de um piscar de
olhos (literalmente). E isto ao preço de uma chamada local - ou até por menos.
Quase ao chegar ao nosso destino, encontramos outra firewall. Conforme o
ponto de vista do pacote de dados, a firewall pode ser um bastião de segurança
ou um adversário temível. Tudo depende do lado em que se está e das nossas
intenções.
A firewall foi concebida para deixar entrar só os pacotes que cumprem os
critérios que tem definidos. Este corta-fogo está a trabalhar nos portos 80 e
25. Todas as tentativas de entrada por outros portos dão com a cara na porta.
O porto 25 é utilizado para pacotes de correio; já o porto 80 é a entrada
para os pacotes da Internet destinados ao servidor Web.
Dentro da firewall, os pacotes são analisados com mais cuidado: alguns
passam sem dificuldades por esta "alfândega", enquanto que outros já
oferecem dúvidas. O polícia da firewall não é enganado de qualquer maneira:
por exemplo, está atento a pacotes do ping mortal, quando estes se tentam
disfarçar de pacotes do ping "normal".
Para os pacotes que têm a sorte de aqui chegar, a viagem está quase a
terminar. Basta alinharem-se junto à interface, para serem erguidos até ao
servidor Web.
Hoje em dia, um servidor Web pode estar a funcionar em muitos tipos de máquinas.
Desde um grande sistema central a um computador pessoal, passando pelas câmaras
para a Web. E porque não num frigorífico? Com a configuração adequada,
pode-se descobrir se há ingredientes que cheguem para um Bacalhau à Brás, ou
se é preciso ir às compras. Lembrem-se que estamos na alvorada da Internet:
praticamente tudo é possível.
Um a um, os pacotes são recebidos, abertos e desempacotados. As informações
que continham, que constituiem o nosso pedido de informações, é enviada para
aplicação do servidor Web. Quanto ao pacote, este é reciclado, ficando pronto
para nova utilização, após preenchido com as informações que solicitámos.
É então endereçado e é-nos enviado.
Já de regresso, após passar pelas firewalls, routers e pela Internet. Passa
novamente pela nossa firewall na empresa, bem como pela interface.
Está pronto a fornecer ao navegador da Web as informações solicitadas.
E é isto o filme.
Satisfeitos com o esforço que aplicaram, e cheios de confiança num mundo
melhor, os nossos fiéis pacotes de dados cavalgam alegremente em direcção a
mais um pôr do Sol, com a certeza de terem servido bem a seus amos.