movimento VELOCIDADE JUSTA surgiu da indignação de
usuários com as empresas responsáveis pelo fornecimento de acesso banda larga.
As reclamações variam de falta de velocidade, mal-atendimento, falta de
suporte, descaso por parte dos fornecedores, etc... Os fundadores do site são
usuários de Banda Larga e sentiram na pele a falta de informação e o
despreparo dos prestadores de serviço. Com a idéia e a indignação, surgiu
este movimento.
O Superdownloads procurou os líderes do movimento e o Diego Garcia se prestou
gentilmente a nos dar essa entrevista.
Superdownloads: Como e quando surgiu o site Velocidade Justa?
Diego: O site VELOCIDADE JUSTA surgiu da indignação minha e do meu
colega Caio, ambos usuários de ADSL da Brasil Telecom. O sistema de ADSL foi
lançado durante um jantar (reservado apenas aos provedores) e do qual eu fiquei
sabendo antecipadamente. No dia seguinte, por volta das 8 horas da manhã eu
solicitei o serviço e causei, inclusive, espanto da atendente que me perguntou
como eu sabia da existência do serviço que tinha sido lançado a menos de 12
horas. O serviço foi instalado e logo começaram a surgir os problemas. Minha
primeira reclamação foi pelo fato de você ter que solicitar todos os serviços
pelo provedor. Tudo, da adesão ao serviço a reclamações sobre queda do
sistema tem que ser feito pelo provedor. Isto causa situações inusitadas,
como, por exemplo, o dia em que o servidor de DNS da Brasil Telecom saiu do ar e
eu entrei em contato direto com a área de engenharia responsável (da Brasil
Telecom). O técnico me disse que era tudo direto com o provedor. Eu fui
obrigado a ligar para o meu provedor (cujo call center é em Londrina-Pr), para
que eles ligassem para o técnico de plantão em Curitiba (técnico do
provedor), para que este por sua vez ligasse para o mesmo técnico da Brasil
Telecom com quem eu havia antes conversado para dizer exatamente a mesma coisa:
"O servidor de DNS esta fora do ar".
Outra grande reclamação minha diz respeito ao fato de você assinar o provedor
e usar o backbone da Brasil Telecom, o que nivelou os provedores por baixo (o
link do provedor agora não significa nada). Soube (através de fonte interna)
que em Curitiba existia até uma loja de informática que cobrava 9 reais por um
acesso ADSL e não fornecia nada (nem mesmo e-mail). Eles tinham apenas um
servidor de autenticação e era uma boa alternativa à média de 35 reais que
outros provedores cobravam. Destas reclamações a outras como backbone
insuficiente, quedas dos servidores, falhas nos equipamentos de autenticação,
desinformação, e "técnicos" extremamente despreparados me levaram a
um desgosto total pelo serviço. Certa vez uma "equipe técnica" veio
até minha residência porque eu havia informado que o sistema não estava
navegando para fora do País. Munidos de notebook eles fizeram um teste fantástico.
Deram um ping no "Cadê" e me disseram que o sistema estava Ok.Quando pedi para eles testarem o Yahoo.com e o sistema
retornou dizendo que o host estava inalcançável eles ligaram para a área de
engenharia perguntando o que significava aquela mensagem.
F
oi nesse dia, após
mais de 48 horas sem internet, que eu e o meu colega criamos o Velocidade
Justa.
Nossa intenção inicial foi tornar pública toda a falta de preparo das
empresas que fornecem o serviço. Tivemos o apoio de vários provedores (também
indignados com o serviço) que indicavam o nosso site como referência sobre o
assunto. Foi numa dessas buscas que o Horácio nos conheceu e passou a trabalhar
comigo de forma efetiva (principalmente após o afastamento do Caio do projeto).
Após uma reformulação do site feita pelo Horácio e muita divulgação que o
site se tornou o que ele é hoje.
SD: É verdade que vocês estão criando uma associação de usuários?
Diego:Sim. A associação é uma idéia do Horácio e o objetivo é a
proteção de direitos coletivos, onde passaremos a agir em prol de TODA a
comunidade de Banda Larga, defendendo-a diante do poderio das Teles. Estamos em
fase final de revisão do estatuto e pretendemos torna-la ativa em breve.
SD: Quais desses serviços possuem mais reclamações: Speedy, NET ou
Virtua?
Diego: Aqui em Curitiba, o serviço que mais tem reclamações é a ADSL
da Brasil Telecom. O Cable Modem Net (agora incorporado pelo Virtua) apresenta
um sistema extremamente eficaz com equipes técnicas preparadas. Contudo, desde
que o Virtua assumiu, houve uma queda substancial na qualidade do serviço.
Esperamos que ele não chegue no nível (péssimo) do Virtua de SP/RJ. Já em São
Paulo no geral, o serviço com melhor desempenho técnico é o ADSL, aqui
chamado de Speedy. E a liderança (proporcional) nas reclamações fica com o
Virtua. Mas isso varia conforme sua localização, e infra-estrutura. Temos
associados que não tem queixas do seu acesso, e outros que acabaram desistindo
por falta de qualidade. O maior problema do Speedy, como, aliás, também dos
sistemas a cabo Virtua e AJato, é o despreparo das equipes de atendimento técnico,
call centers sub-dimensionados e despreparados. No caso específico do Speedy, a
postura ditatorial da Telefônica, que por costume ignora as críticas e os
direitos de seus usuários. O Horácio está esperando a resposta de uma carta
protocolada, pessoalmente, ao Ombudsman da Telefônica, em Julho de 1999!
SD: E quais desses possuem o melhor custo/benefício?
Diego: Hoje a questão de custo/benefício está mais ou menos
equiparada. Na hora de aderir a um sistema de banda larga o futuro cliente deve
procurar o sistema mais estável e com a equipe técnica mais bem preparada. Em
Curitiba eu recomendaria o Cable Modem Net/Virtua (esperando que o sistema não
piore), muito embora a Brasil Telecom tenha aprendido muito com seus erros e o
sistema deles esteja bem melhor do que quando começou.
Já em SP/Rio de Janeiro quando funciona, creio que o Speedy é ainda a melhor
opção, seguido pelo AJato bidirecional, pelo AJato unidirecional, e por último
o Virtua. A Vésper, que seria a "concorrente" da Telefônica,
mostrou-se inoperante. O acesso via rádio em São Paulo, que seria a outra opção
disponível, ainda não decolou, inexplicavelmente, creio que pela política e
da falta de investidores. Quanto ao acesso via satélite, por enquanto é só
especulação.
M
as em 2002 a coisa vai mudar muito, novos players
competentes vão entrar no mercado, com políticas e preços agressivos. Por
isso o desespero da Telefonica querendo aproveitar ao máximo sua reserva de
mercado, enquanto ela dura..
SD: Quais suas sugestões para a melhoria da banda larga no Brasil?
Diego: A forma como o sistema se encontra hoje, demonstra a falta de
capacitação das empresas que prestam o serviço. Muito mais do que isso
demonstram a falta de consideração com o cliente que procura o serviço. Um
colega meu chegou a ouvir de um dos operadores que "se ele não queria o
serviço porque o sistema não era bom, não teria problema, pois cliente é o
que não falta". Para melhoria do serviço, a primeira coisa a ser feita e
tratar o cliente como gente e não como "mercadoria" como hoje é
feito. Treinamento do pessoal do call center, equipes técnicas competentes e
preparadas e cobrança de um valor justo pelo serviço são as primeiras medidas
que devem/deveriam ser tomadas.
SD: Você acha que por causa da concorrência entre as Teles e mesmo até
entre os provedores, os preços desses serviços poderão cair?
Diego: O sistema de mercado hoje apresenta na verdade um Oligopólio
(pouco melhor que o monopólio). Existe hoje um acordo entre os provedores/teles
onde todos os sistemas têm preços semelhantes. A partir de 2002, com a
abertura total do mercado, e esperando que grandes empresas como AT&T e AOL/Time
Warner venham para o Brasil, os preços podem começar a cair.
SD:: Quem controla as leis ou normas que regem a banda larga no Brasil?
Diego: A normatização do sistema de banda larga (banda larga é o tipo
de acesso à internet) é feita pela ANATEL. Contudo, órgãos como ABRANET (uma
vez que a banda larga é um acesso à internet, ainda que diferenciado) opinam
diretamente na formulação das normas que regem o sistema. Pretendemos ter com
a nossa associação, uma voz ativa quando novas normas estiverem sendo
formuladas, podendo opinar diretamente em favor dos usuários.
SD: Existem alguns usuários que não estão pagando o Speedy, por
acharem que o provedor não tem nada haver com o o serviço em si. Eles estão
certos ou errados?
Diego: Certíssimos. Tanto no sistema Speedy como na ADSL da Brasil
Telecom, o provedor serve para fornecer e-mail e conteúdo. As teles na
realidade fornecem todo o acesso e conexão à internet. O uso de outros
provedores de acesso é desnecessário tecnicamente. Conteúdo e e-mails devem
ser opcionais. Isto fez com que muitos usuários contestassem a idéia de pagar
R$ 60,00 por contas ilimitadas de e-mail e coisas como disco virtual. Devido a
uma falha no sistema da Telefônica, muitos usuários hoje acessam a net pelo
speedy sem provedor. Esse sistema foi apelidado de ISP (Internet Sem Provedor)
numa referência a sigla que designa provedor em inglês (Internet Service
Provider). Nossa posição está bem fundamentada e explicitada em nosso site,
na página www.velocidadejusta.com.br/isp.htm.
SD: Você pode nos dar algumas dicas para quem está querendo contratar
um serviço de banda larga?
Diego: A primeira dica que nos damos antes de você assinar um serviço
é visitar a nossa Home Page, assinar a nossa lista de discussão e começar a
ver que tipos de reclamações existem acerca do sistema que você pretende
assinar. Assim você vai ter plena consciência do que te espera quando você
aderir ao serviço. Isto serve também para que você tenha uma escolha mais
consciente, tendo conhecimento de todos os tipos de serviços (e problemas de
cada um) oferecidos.